O PRAZER QUE BUSCO
Da janela do meu quarto observo o que chamam de mundo. Acima projeta-se o que da astronomia assimilei. Abaixo, o que entendi da antropologia.
Da janela do meu quarto observo o mundo. Camadas e camadas de sentido. Eu já não me importo. Não vivo aqui. Aqui é um campo de trabalho, onde manipulamos e construímos. Nada daqui constitui a mim. Sou um ser distanciado disso tudo. A um passo sou distanciado, a outro, dou minha vida para construir algo duradouro. Esta vida não é minha. Utilizo um traje espacial e uma identidade que me deram para atuar neste mundo. Não ajo por minha própria força, não vivo por minha conta. Tudo é emprestado. Tudo é meu e nada me pertence. Tudo me é dado.
Em tudo busco o verdadeiro valor. Em tudo busco a verdade. Não sou um intelectual que busca o prazer no intelecto, o prazer do pensamento, que sem dúvida é o prazer individual mais elevado; não sou um artista, que busca o sentido e o prazer na experiência estética. Não sou um materialista, que busca o prazer e o sentido na matéria. Eu sou um ser espiritual que busca a Verdade, o Bem e o Belo. O prazer que busco é aquele da cosmogonia: quando me sinto Um com todas as pessoas e com a grande Vida. Este é, sem dúvida, o mais elevado prazer. Como consegui-lo? Vivendo para os outros, em favor dos outros, em benefício do todo e não de mim.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
sábado, 10 de outubro de 2009
INOVAÇÃO DE BLOG
Hoje inauguro este novo blog com a intenção de que meus leitores travem verdadeiras lutas de discussão comigo. Minha batalha não é pequena,
pois travarei uma luta com o senso comum e também com o pensamento científico atual, em muitos aspectos. Gostaria que meus leitores me contestassem com sinceridade e, mais ainda, que superassem um pouco dos preconceitos do senso comum para adentrar no universo que proponho. A razão de minha escrita é a libertação das consciências e a construção de um conhecimento novo, verdadeiramente transformador.
Com certo orgulho, posso dizer que me aprofundei razoavelmente nas ciências humanas de nosso tempo, graças sobretudo à literatura, e que posso contestar muitos de seus aspectos com relativa autonomia. Espero a contribuição de meus leitores para fortalecer ou transviar meus pontos de vista.
Um caloroso abraço de Rodrigo Rosa
domingo, 6 de setembro de 2009
QUAL A MELHOR RELIGIÃO?
Breve diálogo entre o teólogo brasileiro Leonardo Boff e o Dalai Lama.
Leonardo Boff explica:
"No intervalo de uma mesa-redonda sobre religião e paz entre os povos,
na qual ambos (eu e o Dalai Lama) participávamos,
eu, maliciosamente, mas também com interesse teológico,
lhe perguntei em meu inglês capenga:
- "Santidade, qual é a melhor religião?" (Your holiness, what`s the best religion?)
Esperava que ele dissesse:
"É o budismo tibetano" ou "São as religiões orientais, muito mais antigas do que o cristianismo."
O Dalai Lama fez uma pequena pausa, deu um sorriso, me olhou bem nos olhos
- o que me desconcertou um pouco, por que eu sabia da malícia
contida na pergunta - e afirmou: "A melhor religião é a que mais
te aproxima de Deus, do Infinito".É aquela que te faz melhor."
Para sair da perplexidade diante de tão sábia resposta,
voltei a perguntar:
- "O que me faz melhor?"
Respondeu ele:
-"Aquilo que te faz mais compassivo" (e aí senti a ressonância tibetana, budista,
taoísta de sua resposta), aquilo que te faz mais sensível, mais desapegado,
mais amoroso, mais humanitário, mais responsável... Mais ético...
A religião que conseguir fazer isso de ti é a melhor religião..."
Calei, maravilhado, e até os dias de hoje
estou ruminando sua resposta sábia e irrefutável...
Não me interessa amigo, a tua religião ou mesmo se tem ou não tem religião.
O que realmente importa é a tua conduta perante o teu semelhante, tua família, teu trabalho, tua comunidade, perante o mundo...
Lembremos:
"O Universo é o eco de nossas ações e nossos pensamentos".
A Lei da Ação e Reação não é exclusiva da Física. Ela está também nas relações humanas. Se eu ajo com o bem, receberei o bem. Se ajo com o mal, receberei o mal.
Aquilo que nossos avós nos disseram é a mais pura verdade: "terás sempre em dobro aquilo que desejares aos outros".
Para muitos, ser feliz não é questão de destino. É de escolha.
Leonardo Boff explica:
"No intervalo de uma mesa-redonda sobre religião e paz entre os povos,
na qual ambos (eu e o Dalai Lama) participávamos,
eu, maliciosamente, mas também com interesse teológico,
lhe perguntei em meu inglês capenga:
- "Santidade, qual é a melhor religião?" (Your holiness, what`s the best religion?)
Esperava que ele dissesse:
"É o budismo tibetano" ou "São as religiões orientais, muito mais antigas do que o cristianismo."
O Dalai Lama fez uma pequena pausa, deu um sorriso, me olhou bem nos olhos
- o que me desconcertou um pouco, por que eu sabia da malícia
contida na pergunta - e afirmou: "A melhor religião é a que mais
te aproxima de Deus, do Infinito".É aquela que te faz melhor."
Para sair da perplexidade diante de tão sábia resposta,
voltei a perguntar:
- "O que me faz melhor?"
Respondeu ele:
-"Aquilo que te faz mais compassivo" (e aí senti a ressonância tibetana, budista,
taoísta de sua resposta), aquilo que te faz mais sensível, mais desapegado,
mais amoroso, mais humanitário, mais responsável... Mais ético...
A religião que conseguir fazer isso de ti é a melhor religião..."
Calei, maravilhado, e até os dias de hoje
estou ruminando sua resposta sábia e irrefutável...
Não me interessa amigo, a tua religião ou mesmo se tem ou não tem religião.
O que realmente importa é a tua conduta perante o teu semelhante, tua família, teu trabalho, tua comunidade, perante o mundo...
Lembremos:
"O Universo é o eco de nossas ações e nossos pensamentos".
A Lei da Ação e Reação não é exclusiva da Física. Ela está também nas relações humanas. Se eu ajo com o bem, receberei o bem. Se ajo com o mal, receberei o mal.
Aquilo que nossos avós nos disseram é a mais pura verdade: "terás sempre em dobro aquilo que desejares aos outros".
Para muitos, ser feliz não é questão de destino. É de escolha.
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
COMERCIO
Los famas habían puesto una fábrica de mangueras, y emplearon a numerosos cronopios para el enrollado y depósito. Apenas los cronopios estuvieron en el lugar del hecho, una grandísima alegría. Había mangueras verdes, rojas, azules, amarillas y violetas. Eran transparentes y al ensayarlas se veía correr el agua con todas sus burbujas y a veces un sorprendido insecto. Los cronopios empezaron a lanzar grandes gritos, y querían bailar tregua y bailar catala en vez de trabajar. Los famas se enfurecieron y aplicaron en seguida los artículos 21, 22 y 23 del reglamento interno. A fin de evitar la repetición de tales hechos. Como los famas son muy descuidados, los cronopios esperaron circunstancias favorables y cargaron muchísimas mangueras en un camión. Cuando encontraban una niña, cortaban un pedazo de manguera azul y se la obsequiaban para que pudiese saltar a la manguera. Así en todas las esquinas se vieron nacer bellísimas burbujas azules transparentes, con una niña adentro que parecía una ardilla en su jaula. Los padres de la niña aspiraban a quitarle la manguera para regar el jardín, pero se supo que los astutos cronopios las habían pinchado de modo que el agua se hacía pedazos en ellas y no servía para nada. Al final los padres se cansaban y la niña iba a la esquina y saltaba y saltaba. Con las mangueras amarillas los cronopios adornaron diversos monumentos, y con las mangueras verdes tendieron trampas al modo africano en pleno rosedal, para ver cómo las esperanzas caían una a una. Alrededor de las esperanzas caídas los cronopios bailaban tregua y bailaban catala, y las esperanzas les reprochaban su acción diciendo así: ¡Crueles cronopios cruentos!. ¡Crueles! Los cronopios, que no deseaban ningún mal a las esperanzas, las ayudaban a levantarse y les regalaban pedazos de manguera roja. Así las esperanzas pudieron ir a sus casas y cumplir el más intenso de sus anhelos: regar los jardines verdes con mangueras rojas. Los famas cerraron la fábrica y dieron un banquete lleno de discursos fúnebres y camareros que servían el pescado en medio de grandes suspiros. Y no invitaron a ningún cronopio, y solamente a las esperanzas que no habían caído en las trampas del rosedal, porque las otras se habían quedado con pedazos de manguera y los famas estaban enojados con esas esperanzas.
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Cortazar,
Historias de cronopios y de famas
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
A moral e a verdade
A arte moderna negou a moral (sem saber que esta é uma posição moral). Nietzsche negou a verdade ( mas esta posição não pressupõe uma opinião sobre a verdade, não é também uma verdade?). Pois eu retomo a moral; eu retomo a verdade não como a preconizou Platão, não como a negaram as filosofias. A verdade que retomo está além da linguagem, mais ainda, está além, precede a formação dos signos. A verdade a que me refiro se identifica com uma essência do ser; uma essência que só pode ser intuída, nem sentida, nem pensada. A moral que retomo deve ser regida por essa essência.
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
FECHADO
Desce poderosa a ameaça
de impedir as sem-razões
e oprimir o desconcerto
imprescindível. Cala o sonho
e uma voz, que impaciente se adivinha,
distorce a prisão. Não é verdade
que renuncies para sempre a tua ansiada
primavera. Não é possível que os anos
sacrifiquem esse instante imperecível
que voa. Não é razão essa quimera.
Não consinta o tempo dar-lhe o cetro
nem a espada. Espanta sua cor
e seu ditado. Torna mudos os sons
da terra cobiçando as raízes.
Azeda a semente e a aprisiona
com gélida petrificação. Roça o fogo
e já o apaga. Vem ver-te
e cruel te atira à paixão que te aprisiona,
ao olhar que recebe o mundo e o rechaça,
à palavra que é um castelo, e não pousada
nem varanda. Oh! Fechado ao mundo estás.
Qual silêncio te perdoa
si és voz e em mudo alento
transformaste tua existência?
de impedir as sem-razões
e oprimir o desconcerto
imprescindível. Cala o sonho
e uma voz, que impaciente se adivinha,
distorce a prisão. Não é verdade
que renuncies para sempre a tua ansiada
primavera. Não é possível que os anos
sacrifiquem esse instante imperecível
que voa. Não é razão essa quimera.
Não consinta o tempo dar-lhe o cetro
nem a espada. Espanta sua cor
e seu ditado. Torna mudos os sons
da terra cobiçando as raízes.
Azeda a semente e a aprisiona
com gélida petrificação. Roça o fogo
e já o apaga. Vem ver-te
e cruel te atira à paixão que te aprisiona,
ao olhar que recebe o mundo e o rechaça,
à palavra que é um castelo, e não pousada
nem varanda. Oh! Fechado ao mundo estás.
Qual silêncio te perdoa
si és voz e em mudo alento
transformaste tua existência?
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