domingo, 6 de setembro de 2009

QUAL A MELHOR RELIGIÃO?

Breve diálogo entre o teólogo brasileiro Leonardo Boff e o Dalai Lama.
Leonardo Boff explica:

"No intervalo de uma mesa-redonda sobre religião e paz entre os povos,
na qual ambos (eu e o Dalai Lama) participávamos,
eu, maliciosamente, mas também com interesse teológico,
lhe perguntei em meu inglês capenga:
- "Santidade, qual é a melhor religião?" (Your holiness, what`s the best religion?)
Esperava que ele dissesse:
"É o budismo tibetano" ou "São as religiões orientais, muito mais antigas do que o cristianismo."
O Dalai Lama fez uma pequena pausa, deu um sorriso, me olhou bem nos olhos
- o que me desconcertou um pouco, por que eu sabia da malícia
contida na pergunta - e afirmou: "A melhor religião é a que mais
te aproxima de Deus, do Infinito".É aquela que te faz melhor."
Para sair da perplexidade diante de tão sábia resposta,
voltei a perguntar:
- "O que me faz melhor?"
Respondeu ele:
-"Aquilo que te faz mais compassivo" (e aí senti a ressonância tibetana, budista,
taoísta de sua resposta), aquilo que te faz mais sensível, mais desapegado,
mais amoroso, mais humanitário, mais responsável... Mais ético...
A religião que conseguir fazer isso de ti é a melhor religião..."
Calei, maravilhado, e até os dias de hoje
estou ruminando sua resposta sábia e irrefutável...
Não me interessa amigo, a tua religião ou mesmo se tem ou não tem religião.

O que realmente importa é a tua conduta perante o teu semelhante, tua família, teu trabalho, tua comunidade, perante o mundo...
Lembremos:
"O Universo é o eco de nossas ações e nossos pensamentos".
A Lei da Ação e Reação não é exclusiva da Física. Ela está também nas relações humanas. Se eu ajo com o bem, receberei o bem. Se ajo com o mal, receberei o mal.
Aquilo que nossos avós nos disseram é a mais pura verdade: "terás sempre em dobro aquilo que desejares aos outros".

Para muitos, ser feliz não é questão de destino. É de escolha.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

COMERCIO

Los famas habían puesto una fábrica de mangueras, y emplearon a numerosos cronopios para el enrollado y depósito. Apenas los cronopios estuvieron en el lugar del hecho, una grandísima alegría. Había mangueras verdes, rojas, azules, amarillas y violetas. Eran transparentes y al ensayarlas se veía correr el agua con todas sus burbujas y a veces un sorprendido insecto. Los cronopios empezaron a lanzar grandes gritos, y querían bailar tregua y bailar catala en vez de trabajar. Los famas se enfurecieron y aplicaron en seguida los artículos 21, 22 y 23 del reglamento interno. A fin de evitar la repetición de tales hechos. Como los famas son muy descuidados, los cronopios esperaron circunstancias favorables y cargaron muchísimas mangueras en un camión. Cuando encontraban una niña, cortaban un pedazo de manguera azul y se la obsequiaban para que pudiese saltar a la manguera. Así en todas las esquinas se vieron nacer bellísimas burbujas azules transparentes, con una niña adentro que parecía una ardilla en su jaula. Los padres de la niña aspiraban a quitarle la manguera para regar el jardín, pero se supo que los astutos cronopios las habían pinchado de modo que el agua se hacía pedazos en ellas y no servía para nada. Al final los padres se cansaban y la niña iba a la esquina y saltaba y saltaba. Con las mangueras amarillas los cronopios adornaron diversos monumentos, y con las mangueras verdes tendieron trampas al modo africano en pleno rosedal, para ver cómo las esperanzas caían una a una. Alrededor de las esperanzas caídas los cronopios bailaban tregua y bailaban catala, y las esperanzas les reprochaban su acción diciendo así: ¡Crueles cronopios cruentos!. ¡Crueles! Los cronopios, que no deseaban ningún mal a las esperanzas, las ayudaban a levantarse y les regalaban pedazos de manguera roja. Así las esperanzas pudieron ir a sus casas y cumplir el más intenso de sus anhelos: regar los jardines verdes con mangueras rojas. Los famas cerraron la fábrica y dieron un banquete lleno de discursos fúnebres y camareros que servían el pescado en medio de grandes suspiros. Y no invitaron a ningún cronopio, y solamente a las esperanzas que no habían caído en las trampas del rosedal, porque las otras se habían quedado con pedazos de manguera y los famas estaban enojados con esas esperanzas.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

A moral e a verdade

A arte moderna negou a moral (sem saber que esta é uma posição moral). Nietzsche negou a verdade ( mas esta posição não pressupõe uma opinião sobre a verdade, não é também uma verdade?). Pois eu retomo a moral; eu retomo a verdade não como a preconizou Platão, não como a negaram as filosofias. A verdade que retomo está além da linguagem, mais ainda, está além, precede a formação dos signos. A verdade a que me refiro se identifica com uma essência do ser; uma essência que só pode ser intuída, nem sentida, nem pensada. A moral que retomo deve ser regida por essa essência.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

FECHADO

Desce poderosa a ameaça

de impedir as sem-razões

e oprimir o desconcerto

imprescindível. Cala o sonho

e uma voz, que impaciente se adivinha,

distorce a prisão. Não é verdade

que renuncies para sempre a tua ansiada

primavera. Não é possível que os anos

sacrifiquem esse instante imperecível

que voa. Não é razão essa quimera.

Não consinta o tempo dar-lhe o cetro

nem a espada. Espanta sua cor

e seu ditado. Torna mudos os sons

da terra cobiçando as raízes.

Azeda a semente e a aprisiona

com gélida petrificação. Roça o fogo

e já o apaga. Vem ver-te

e cruel te atira à paixão que te aprisiona,

ao olhar que recebe o mundo e o rechaça,

à palavra que é um castelo, e não pousada

nem varanda. Oh! Fechado ao mundo estás.

Qual silêncio te perdoa

si és voz e em mudo alento

transformaste tua existência?

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Tarde sem tempo

Quem conta na tarde os minutos

parece com o perdido buscador

de essências no quarto já disposto

para o sonho. Parece um despedido coração

que não acha seu compasso nem seu refúgio,

de tanto andar esquivo e apressado,

em favor de sua tardança enamorada.

Quem conta já não acha,

pois corta os contornos dos suaves

cromatismos. Estreita com sua lei a realidade

do que abertamente passa e se recria

em sua razão esférica e integral.

E anula com sua torpe fé

a suave sucessão de eternidades

que anunciavam a fronteira onde quis

transitar.



À AUSÊNCIA DESESTIMA

Não sofras por sua ausência.

Quando o outro não quer responder,

Dá no mesmo que se encontre em um

Oceano lunar, ou que a teu lado,

Ensimesmado em seu mutismo, tenhas

O corpo onde habita. Se percute

Seu silêncio, e persevera na distância,

Dará igual que o submetas ao encanto

de teu leito compartilhado; respirarás

somente sua distância, por mais que

os sentidos simulem o contrário.

Deixa, pois, que as medidas sejam

da alma patrimônio, e sente assim

um descanso infinito, onde o amor

desnuda suas provas e soçobros

e aparece em superfícies ou relevos,

fiel a esse olhar que à ausência

desestima.