segunda-feira, 10 de agosto de 2009

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

COMERCIO

Los famas habían puesto una fábrica de mangueras, y emplearon a numerosos cronopios para el enrollado y depósito. Apenas los cronopios estuvieron en el lugar del hecho, una grandísima alegría. Había mangueras verdes, rojas, azules, amarillas y violetas. Eran transparentes y al ensayarlas se veía correr el agua con todas sus burbujas y a veces un sorprendido insecto. Los cronopios empezaron a lanzar grandes gritos, y querían bailar tregua y bailar catala en vez de trabajar. Los famas se enfurecieron y aplicaron en seguida los artículos 21, 22 y 23 del reglamento interno. A fin de evitar la repetición de tales hechos. Como los famas son muy descuidados, los cronopios esperaron circunstancias favorables y cargaron muchísimas mangueras en un camión. Cuando encontraban una niña, cortaban un pedazo de manguera azul y se la obsequiaban para que pudiese saltar a la manguera. Así en todas las esquinas se vieron nacer bellísimas burbujas azules transparentes, con una niña adentro que parecía una ardilla en su jaula. Los padres de la niña aspiraban a quitarle la manguera para regar el jardín, pero se supo que los astutos cronopios las habían pinchado de modo que el agua se hacía pedazos en ellas y no servía para nada. Al final los padres se cansaban y la niña iba a la esquina y saltaba y saltaba. Con las mangueras amarillas los cronopios adornaron diversos monumentos, y con las mangueras verdes tendieron trampas al modo africano en pleno rosedal, para ver cómo las esperanzas caían una a una. Alrededor de las esperanzas caídas los cronopios bailaban tregua y bailaban catala, y las esperanzas les reprochaban su acción diciendo así: ¡Crueles cronopios cruentos!. ¡Crueles! Los cronopios, que no deseaban ningún mal a las esperanzas, las ayudaban a levantarse y les regalaban pedazos de manguera roja. Así las esperanzas pudieron ir a sus casas y cumplir el más intenso de sus anhelos: regar los jardines verdes con mangueras rojas. Los famas cerraron la fábrica y dieron un banquete lleno de discursos fúnebres y camareros que servían el pescado en medio de grandes suspiros. Y no invitaron a ningún cronopio, y solamente a las esperanzas que no habían caído en las trampas del rosedal, porque las otras se habían quedado con pedazos de manguera y los famas estaban enojados con esas esperanzas.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

A moral e a verdade

A arte moderna negou a moral (sem saber que esta é uma posição moral). Nietzsche negou a verdade ( mas esta posição não pressupõe uma opinião sobre a verdade, não é também uma verdade?). Pois eu retomo a moral; eu retomo a verdade não como a preconizou Platão, não como a negaram as filosofias. A verdade que retomo está além da linguagem, mais ainda, está além, precede a formação dos signos. A verdade a que me refiro se identifica com uma essência do ser; uma essência que só pode ser intuída, nem sentida, nem pensada. A moral que retomo deve ser regida por essa essência.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

FECHADO

Desce poderosa a ameaça

de impedir as sem-razões

e oprimir o desconcerto

imprescindível. Cala o sonho

e uma voz, que impaciente se adivinha,

distorce a prisão. Não é verdade

que renuncies para sempre a tua ansiada

primavera. Não é possível que os anos

sacrifiquem esse instante imperecível

que voa. Não é razão essa quimera.

Não consinta o tempo dar-lhe o cetro

nem a espada. Espanta sua cor

e seu ditado. Torna mudos os sons

da terra cobiçando as raízes.

Azeda a semente e a aprisiona

com gélida petrificação. Roça o fogo

e já o apaga. Vem ver-te

e cruel te atira à paixão que te aprisiona,

ao olhar que recebe o mundo e o rechaça,

à palavra que é um castelo, e não pousada

nem varanda. Oh! Fechado ao mundo estás.

Qual silêncio te perdoa

si és voz e em mudo alento

transformaste tua existência?

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Tarde sem tempo

Quem conta na tarde os minutos

parece com o perdido buscador

de essências no quarto já disposto

para o sonho. Parece um despedido coração

que não acha seu compasso nem seu refúgio,

de tanto andar esquivo e apressado,

em favor de sua tardança enamorada.

Quem conta já não acha,

pois corta os contornos dos suaves

cromatismos. Estreita com sua lei a realidade

do que abertamente passa e se recria

em sua razão esférica e integral.

E anula com sua torpe fé

a suave sucessão de eternidades

que anunciavam a fronteira onde quis

transitar.



À AUSÊNCIA DESESTIMA

Não sofras por sua ausência.

Quando o outro não quer responder,

Dá no mesmo que se encontre em um

Oceano lunar, ou que a teu lado,

Ensimesmado em seu mutismo, tenhas

O corpo onde habita. Se percute

Seu silêncio, e persevera na distância,

Dará igual que o submetas ao encanto

de teu leito compartilhado; respirarás

somente sua distância, por mais que

os sentidos simulem o contrário.

Deixa, pois, que as medidas sejam

da alma patrimônio, e sente assim

um descanso infinito, onde o amor

desnuda suas provas e soçobros

e aparece em superfícies ou relevos,

fiel a esse olhar que à ausência

desestima.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

O TODO-EU

Minha necessidade de ser todos se extremava. Minha necessidade de completude ía ao extremo. Como um moderno, não tenho lar que me acolha. Acolhe-me em partes: sou muitas partes. Cada lar acolhe um eu meu. Nunca estou completo, um outro eu se anseia, faltante. De um grupo a outro me desloco. Nunca satisfeito, apenas uma sensação efêmera de completude que durará um dia. E a busca não cessa. Sou um buscador/somos buscadores, eu e meus diversos eus: o espiritualista, o intelectual, o dançarino-corporal, o cantor-musical, o prático braçal (talvez o mais tímido), o afetivo-familiar, o esteta. Todos eles como ângulos/partes de uma esfera chamada todo-eu. Esta esfera gira intermitente; quando pára um tanto é porque se iludiu com a sensação de completude; logo tornará a girar para alimentar os outros eus. De certo o eu intelectual seja o mais faminto destes eus, o que mais alimenta a minha "essência".