Meu bairro
Gosto do sol que banha meu bairro
Não é o mesmo Sol
Gosto deste vento fresco que
só passa nas alturas
o farfalhar das folhas, que são poucas
os latidos, que são muitos
gosto de minha gente
ressequida e ágria
marrom como a terra
de histórias perdidas
de descaminhos desconsolos
O abandono de meu bairro me é familiar
sua ruína me acolhe
seu esgoto fétido
e sua amplitude:
gosto de ver São Paulo
como um arroubo
o entardecer é sempre igual
com tanta gente que nem
se conhece
o mamoeiro que não dá
a minha gente que é descaída
mas é minha.
Aqui estou seguro, mesmo só
Não tem a noite terrível do
desconhecido
Tem meu tio
que
de novo
passou o ano novo aqui
mas se consolou folgando no dia primeiro
arrumando um portão
quinta-feira, 10 de abril de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)
7 comentários:
Rô, muito massa esse poema, mas te confesso que senti até um mal estar de tão real que me soou. Senti necessidade de abandonar essa realidade toda, onde já vão quase duas décadas!!! Nunca me senti acolhido nem confortável nesse meio, nem mesmo dentro desta casa!!!! Passei 21 anos tentando fugir disso tudo, foi muito doloroso....
Bjs,
Dê
1)teu bairro, as vezes, sente falta de ti...
2)Se vc ao ver da usp sente o povo mais humano, imagine eu que tenho dado aulas lá, compartilhado, ido às casas de alunos gravar vídeos para trabalhos, me encontrando às tardes na escola para fazer acrobacias, levando eles ao teatro de carro (só não chamo eles pra tomar cerveja nem tenho casos pois são menores de idades hehehe - e sou casado, claro rsrs) mas se não fosse isso o faria sem problemas - são viscerais, mais que reais.
Quanto a estética.... rsrs
VIVA O BAIXO VENTRE!!!!!!!
BJBJ
William Rosa
Adorei o poema......vc é muito sensível mesmo. E é verdade quem conhece o Tereza entende.
Bjs
Martha Schultz
Demais esse lugar não significar apenas cidade dormitório para você.
Como é bonita a forma com que você se apropria dele!
bjs
Bia
(Beatriz, moradora do Santa Tereza)
Como sentimento e olhos de poeta são surpreendentes...vocês enxergam coisas que tentamos, mas não conseguimos em virtude de tanta carência, tanta deficiência e tanto abandono.Ainda tenho recordações do medo e de situações bem difíceis que passei quando morei aí. Sentia necessidade de respirar, de dormir melhor, de acordar melhor. Hoje consigo isso.
Grande beijo!
Marilda Rosa (ex moradora do Sta. Tereza)
Quero conhecer esse bairro...
Muito bom texto.
Abraco
Postar um comentário